quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Muitas novidades

É incrível como em apenas 20 dias muuuuitas coisas acontecem: apresentação em congresso, match, PID, DS160, visto, início das aulas... ufa, foram muitas emoções!

Não sei se já contei, mas estudo Biologia e sou aluna de Iniciação Científica no Laboratório de Biologia do Desenvolvimento. E no meio de toda essa loucura de ser au pair ainda tenho que dar conta das minhas obrigações no lab. Então, na semana de 24 a 27 de julho fui para São Paulo participar do Congresso de Biologia Celular. Mas mais do que ir, fui apresentar uma parte do trabalho que o meu grupo desenvolve. Fiquei maluuca durante a semana que antecedeu este evento porque tive que fazer o meu primeiro pôster, que como não bastasse tinha que ser tooodo em inglês. Affff.. sofri mas consegui o/. Apresentei e voltei pra casa feliz por ter passado por esta experiência.

No último dia do Congresso eu acordo e recebo a seguinte ligação: "Bom dia Thais, a família que você estava conversando finalizou o processo com você. Agora você tem que agendar o seu visto para semana que vem, efetuar o pagamento do restante do programa e tirar a sua PID". Aiiii que notícia mais agradável de se ter no começo da semana.

Assim que cheguei em Campinas fui logo fazer o agendamento do visto. Paguei os R$38,00 e marquei a minha entrevista pro dia 09/08. Também fui na Ciretran pra fazer o requerimento da minha PID. Em dez dias úteis a tiazinha disse que ela está pronta.

Bom, os dias passaram e na sexta feira o meu kit visto chegou em casa. E lá vai a Thais preencher aquele DS160. Afff, nunca vi nada mais confuso que este formulário. Dá maior medo de preencher qualquer campo errado. Li e reli umas 200 vezes antes de submeter. No final deu tudo certo :).

Enfim chegou o tão temido dia: o dia V! Confesso que eu fiquei muito ansiosa por este dia. Era o que eu mais temia. Cheguei no Consulado Americano por volta das 07:10 e minha entrevista estava agendada para as 07:30. Entre fila, retirar a senha, pré-entrevista, impressão digitais e entrevista foram 1hora e meia. Tudo o que eu não queria era ser chamada para a entrevista no guichê 13, onde tinha o cônsul que mais demorava de todos! Por sorte acabei no guichê 19, que tinha a consulesa mais simpática e bem humorada! Abaixo a minha entrevista:


E: eu
C: Consulesa

C: Bom dia
E: Bom dia
C: O que vai fazer nos Estados Unidos?
E: Au Pair Program
C: Ah, então você fala inglês?
E: Um pouquinho
C: Então faremos sua entrevista em inglês, ok?
E: ok?

A partir deste momento tudo em inglês
C: Onde voce vai morar?
E: West Hartford, Connecticut
C: Qual é o nome da família que você vai morar?
E: Família...
C: Quantas crianças?
E: 3 crianças
C: o que o seu pai faz?
E: ele é ...
C: E a sua mãe?
E: ela é...
C: e onde sua mãe trabalha?
E: ela tem seu próprio escritório
C: quantos empregados ela tem?
E: ... empregados
C: hum., e vocÊ estuda na UNICAMP?
E: Sim, eu faço Biologia
C: e você vai terminar o seu curso antes ou depois do au pair?
E: eu vou ser au pair primeiro e depois volto para concluir a minha graduação.
C: Ok, o seu visto foi aprovado e o seu inglês é muito bom (minha cara para o comentário dela O.O...). Vá pagar a taxa do sedex e em uma semana o seu passaporte chegará na sua casa. Boa sorte!
E: Obrigada!

Não pediu documentos, não pediu nada! :)

Como todas as meninas, saí suuuper feliz para pagar o sedex, que deve chegar em casa ainda essa semana.

Eu optei por não concluir o meu curso. Estou no último semestre mas vou deixar para pegar o meu diploma só depois que eu voltar. Como eu embarco dia 29 e minhas aulas começam sempre na primeira semana de agosto, conversei com a professora para saber se posso assistir as aulas deste mês e então continuar ano que vem sem levar falta por não ter comparecido. Ela topou e eu fiquei beem aliviada com isso... poderia perder o semestre caso ela não aceitasse porque só posso ter 3 faltas no máximo!

Bom, esses meus últimos 20 dias foram super corridos como vocês puderam perceber mas acredito que os próximos 20, que são os que antecedem o meu embarque serão mais!

Tô super feliz e acho que acertei na mosca com a minha família!!

All the best,
Thais

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Como tudo começou

Esta é a primeira vez que eu faço um blog. Ainda mal sei utilizar as ferramentas, mas acredito que com o tempo as coisas vão melhorando...

Bom, como o propósito deste espaço é tentar ajudar a minha memória (que está longe de ser a das melhores) a se lembrar desta época da minha vida, contarei resumidamente toda a minha trajetória no que concerne ao processo de me tornar uma au pair até o dia de hoje, 19 de julho.

O meu desejo de realizar este intercâmbio surgiu em 2008, quando uma amiga minha me contou sobre o programa. Fiquei super animada, mas haviam 3 prncipais "pedras" no meu caminho que dificultariam um pouco a concretização da minha vontade:
- A primeira "pedra" foi a carteira de motorista. Na época eu tinha 22 anos mas nunca tinha ido atrás de tirar a minha habilitação porque achava perda de tempo ter carta se eu não tinha um carro para dirigir. Mas já que era um pré-requisito, lá vai a Thais atrás de auto escola. Já que era para tirar a habilitação, decidi que faria tanto a de moto quanto a de carro. Foram longos 4 meses entre aulas teóricas e práticas, mas fui aprovada de primeira em ambos os exames.
- A segunda "pedra" foi o passaporte... nem me lembro mais quantos meses fiquei esperando até que ele ficasse pronto. Acho que algo em torno de 2 meses.
- A terceira, e que mais contava para mim, era o fato de que em fevereiro de 2010 seria a formatura da minha turma. E eu não queria perdê-la de maneira alguma. Então, isso me forçava a ter uma data específica para o embarque: algo em torno de no máximo fevereiro de 2009.
Além disso, meu dossiê era um pouco fraco: eu tinha pouquíssimas horas de direção, não tinha feito nenhum tipo de curso de primeiros socorros ou algo parecido, a nota do meu inglês na entrevista foi 4, minha experiência com crianças era principalmente familiar. Enfim, "n" motivos mostravam que o au pair naquele ano não iria acontecer. E de fato ele não aconteceu. Apenas 1 família pegou o meu app. Mas eles queriam que eu embarcasse em abril de 2009 e isso não era possível pra mim.

Dai essa história de ser au pair pra mim morreu. Cancelei o programa e toquei a minha vida até o dia em que eu estava voltando para a cidade onde a minha família mora e, conversando com umas meninas que estavam no carro comigo, a vontade de ser au pair renasceu!

E desta vez eu tinha mais chances!! Já tinha muitas horas de direção, tinha experiências com crianças não familiares graças a vários estágios que fiz durante a graduação, fiz aulas de primeiros socorros... ou seja, desta vez tudo parecia estar rumando para que fosse a minha vez de viver o sonho americano.

Fiz novamente todo o processo: preenchi aquele interminável dossiê (que agora que é online parece ser mais interminável do que nunca já que os caracteres que podem ser preenchidos são infinitos), fiz o teste de inglês (e consegui uma nota um pouco melhor do que da primeira vez), fui atrás das referências de cuidado com crianças (que me deu trabalho dobrado por conta de uns imprevistos... mas no fim deu tudo certo), paguei a inscrição do programa e entreguei o meu app dia 16/06.

Minha inscrição foi confirmada dia 26/06 e fiquei online dia 30/06. Assim como 100% dos blogs de au pairs que leio, eu também fiquei muito angustiada por checar a cada minuto a minha página e verificar que nenhuma família estava com o meu app.

Dia 08/07 veio a primeira notificação: A família XXXX de Garden City, NY estava com o meu app. Manooo, dá um frio na barriga quando você vê essa notificação no seu e-mail. Corri para ler sobre o perfil da família. Eram 3 crianças, 1 menino de 6 anos, 1 menina de 2 e um bebê de 1. Ficaram com o meu dossiê por 3 dias e sumiram sem um contato ao menos. Sinceramente, achei melhor... sabe quando você não sente que houve aquele feeling... se você ainda não sabe como é, tenha a certeza de que
ele realmente acontece, porque foi exatamente o que eu senti quando a segunda família, menos de um dia (12/07) depois pegou o meu app.

Affff, foi ridícula a sensação de que havia acontecido o match perfeito! A cada linha que eu lia do app deles, mais eu me via fazendo parte daquela família! São 3 "pré-"adolescentes: 1 menino e 1 menina de 13 anos e um menino de 10. Moram em CT a 5 minutos da capital Hartford.
Eu estava tão ansiosa por entrar em contato com eles que não consegui dormir! Fiquei fuçando em blogs de vaaaaárias au pairs para saber da história delas e ver se eu tinha alguma idéia mirabolante para não acontecer o que havia acontecido com a primeira família (tipo, sair sem nem ao menos entrar em contato) até que encontrei uma luz no fim do túnel: Não me lembro qual blog foi, mas eu li o relato de uma menina que também havia se identificado tanto com a hostfamily que resolveu mandar uma mensagem no facebook pra ela. De duas, uma coisa aconteceria: ou a hostfamily iria se assustar e entregar o dossiê dela de volta para a CC (mas pelo menos este estaria livre para outras famílias verem) ou então eles iriam gostar do interesse que ela teve em entrar em contato e iriam conversar. Resolvi "quebrar o protocolo" e ser tão audaciosa quanto ela. Dia 15, depois de conversar com o meu namorado, decidi que iria fazer a mesma coisa. E lá fui eu, com a cara e a semi coragem (porque eu não estava muuuito convicta. Fiquei com muito medo de estragar tudo. Mas arrisquei!). Mandei a mesma mensagem que a menina postou no blog dela:

"Olá Fulana. Sou a Thais da Cultural Care do Brasil e estou com o app de sua família! Gostaria muito de manter contato com vocês, pois estou muito interessada em sua família! Se você quiser, adicione-me para que possamos manter contato! Thais."

Em menos de duas horas ela RESPONDEUUU!!!
Você fica que nem boba na frente do computador... rindo para as paredes. Ela agradeceu a minha mensagem e disse que queria ter entrado em contato comigo aquele dia, mas não conseguiu. Me contou que já veio uma vez ao Brasil de intercâmbio quando era adolescente e ficou em uma cidade muito próxima da minha. Dai perguntou qual era o melhor horário para conversar comigo no dia seguinte.

Respondi que a partir das 20:00 era o ideal porque trabalharia durante o dia todo. Então, quando deu 19:00 corri para a frente do computador para aprender um pouco mais sobre a família e pensar em coisas para perguntar durante a nossa conversa. As horas passaram... 19, 20, 21... quem mandou colocar "a partir". Tava quase desistindo quando... triiiiim, triiiiim....

Affffff, que nervoso, frio na barriga, vontade de rir e de chorar que a gente sente! Olhei por uns 5 segundos para o visor do celular. Aparecia o número 0999999... heheheheh... é agora ou nunca....

"Hello?"...

E a partir dai foram 42 minutos de conversa... falei inclusive com o menino mais novo. E a cada nova informação que ela me dava, mais eu sentia que aquela era a "minha" família. Temos muitas coincidências na nossa história de vida...

Desliguei o telefone e quem disse que foi possível dormir desde então?
O pior de tudo é que ainda não tenho certeza se ela vai fechar comigo. Acho que entendi isso durante a nossa conversa, mas hoje já é dia 19 de julho e nada de diferente aconteceu. Aliás, aconteceu: Mandei 1 mensagem no facebook na sexta e outra no domingo, além de um e-mail e não tive nenhuma resposta. To com uma mistura de sentimentos entre preocupada e confiante. Confesso que não é o melhor dos sentimentos que já tive durante todo o meu processo.

Quero muito mesmo ir morar com esta família. Quero muito ser uma boa memória na história deles. To pronta para passar este 1 ano longe das minhas raízes brasileiras e próxima às minhas asas americanas.

Foi um longo post, mas com uma síntese de tudo.

Os próximos serão mais frequentes e menores, prometo!

All the best,
Thais